CORRESPONDÊNCIAS DO VENDO A VISTA

para enviar e-mail ou imagens, entre no blog


 
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----- Original Message -----
From: "Gê Orthof" <georthof@yahoo.com>
To: "Maria Ivone dos Santos" <santos@orion.ufrgs.br>
Sent: Monday, May 10, 2004 10:25 AM
Subject: Re: vista


> Querida Ivone e família,
>
>
> que bom ter noticias, a saudade é muita e se perde
> mesmo para a correria! estou com o catálogo para
> enviar para vcs e não consigo tempo para envelopar e
> ir aos correios. Um absurdo!
>
> o lançamento com a performance foi uma experiencia
> inedita e emocionante. Fizemos o convite apenas por
> email e boca a boca e tivemos mais de 200 pessoas.
> Estamos agora tentando nos organizar para fazer o
> lançamento em outras paisagens. Quem sabe chegamos até
> aí...
> Ivone, seu pedido de vista chegou junto de uma outra
> amiga de Bilbao que tb esteve aqui (apenas por um dia)
> e faz fotos de céu e aeroportos de todos os cantos do
> mundo. Mando um contato das imagens para vc me dirigir
> no deu desejo (mais varanda, mais sala mais vista céu
> mais escuro...etc) as do céu claro foram tiradas
> imediatamente após seu pedido. O céu mais bonito, dá
> para tirar mais a tarde ou bem cedinho.
> Preciso saber tb. o formato que vc precisa, nº de
> pixels, etc.
>
>
> Grande abraço, beijocas em todos, g.



 

 

   
   

 

> --- Maria Ivone dos Santos <santos@orion.ufrgs.br>
> wrote:


> > Gê, Cecília e meninas,
> > Um grande bom dia.
> > Aproveito um despertar antes da hora, para colocar
> > em dia a correspondência. Primeiro, soube da
> > performance pública do casal, recebi o convite e
> > fiquei imaginando como teria sido bom este momento.
> > Um casal de artistas resulta numa cumplicidade muito
> > especial.
> >
> > Agora somos nós, eu e o Hélio, que estamos
> > vivenciando a experiência de uma exposição conjunta.
> > Trabalhamos nisso todo o final de semana, entre duas
> > meninas participativas. Abre no próximo sábado, em
> > Santa Catarina, a exposição Moébios, o dólar e
> > outros deslocamentos e Vendo a vista. Como é difícil
> > para um casal sair da rotina em dupla, decidimos
> > algumas estratégias. O Hélio vai e abre a exposição
> > e eu fecho.
> > Ele vai montar os dois trabalhos no local, numa sala
> > do oitavo andar de uma galeria central da cidade, um
> > prédio dos anos sessenta.
> >
> > Gê, meu trabalho será uma vídeo carta (meu primeiro
> > trabalho com vídeo que captarei hoje a tarde) no
> > qual converso sobre uma série de documentos, um tipo
> > de coletas de imagens que produziram um pensamento.
> > Penso que há um tocar do olhos, de espaços, do
> > entorno e um tocar de mãos seguido de uma distância
> > que forma paisagens.
> > Abro este trabalho para uma intelocução contigo,
> > pois eu gostaria de incorporar algumas vistas de
> > espaços dos quais não tenho registro mas que
> > vivenciei de alguma forma em Brasília. Fiquei com a
> > janela do teu apartamento funcional na minha cabeça,
> > aquele horizonte e aquela sensação de estar num tubo
> > de ensaio do espaço. Quando ai estive encontrei o
> > cartão postal que habitava o meu imaginário, mas
> > fiquei com esta linha do horizonte que me persegue
> > até agora.
> > Gê, eu gostaria de te pedir um favor: Poderias
> > captar esta vista e me enviar?
> > Pode ser como tu a sentes, mas eu te pediria que
> > fizesse uma captação, em especial, para mim.
> > Quando se está de pé, na sala, antes de entrar na
> > sacada, é possivel de se enquadrar o espaço externo
> > pela arquitetura.
> > Veja se épodes fazer viajar estas imagens, por mail,
> > ainda nesta semana. Estou fazendo tudo por
> > pedacinhos, pois o tempo urge. Trabalho nos
> > intervalos, em casa e na universidade. Estou
> > tentando usar a via, e tentando encontrar formas de
> > continuar meu trabalho.
> > O Hélio vai para Florianópolis na quarta-feira e
> > monta para nós dois. Isto também foi uma decisão
> > contingencial. Ele vai instalar e eu fico para ir
> > alimentando este processo à distância. Estou
> > cogitando a possibilidade de abrir um blog, no site
> > do espaço, para poder ver a vista/vendo a vista no
> > grupo.
> >
> > Bom,finalizo por hoje pois tenho que acordar a Júlia
> > para aula.
> > Vou parando por aqui,
> > Um grande beijo a todos e até breve.
> > Yvone
> >

 
       
   

> >Edmilson, acho que o teu diagrama "se ilustra" com estes textos. Peço que coloques esta no site, depois da correspondência do Gê.
As fotos seguem na próxima mensagem. Os próximos estarão já no endereço do blog.
Um abraço, ivone

 

 
       
   


----- Original Message -----
From: Fabiana Wielewicki
To: santos@orion.ufrgs.br
Sent: Thursday, May 27, 2004 3:52 PM
Subject: vendo a vista...


Oi Ivone,

Recebei seus pensamentos numa noite chuvosa. Aqui tem chovido muito, mas hoje (finalmente!) está um dia lindo de sol.

Estou te mandando as imagens do último trabalho realizado aí em Porto. São duas fotos das vistas das janelas dos nossos antigos apartamentos (meu e da Letícia) e um vídeo feito no elevador do edifício onde morávamos. É engraçado ver essas imagens hoje... tem algo de nostálgico nelas...

Mando tbém alguns momentos do vídeo: 3º andar... a porta metálica fecha... permanece fechada durante um tempo... abre no 7º andar (assim sucessivamente... 3º...7º...3º...). É bem "emocionante".

O título do trabalho (por enquanto): Zênite. Em astronomia: ponto projetado na esfera celeste acima da cabeça do observador. O termo se desdobra de acordo com o "contexto" (fiz umas pesquisas na internet... encontrei uma banda de heavy metal e uma empresa de informática com esse nome... bem curioso!). Mas acho que é um termo bonito e que articula algumas noções de sentido que interessam ao trabalho.

Era curioso saber que a Lê habitava o mesmo ponto na cidade que eu... exatamente em cima do espaço que eu ocupava. A planta baixa era tbém a mesma (o que causava certa desorientação quando uma visitava a casa da outra) as variações ficavam por conta dos objetos, móveis e da vista da janela.

As vistas, como vc falou, não têm nada de magnífico. São cenas banais, selecionadas pelas molduras das janelas. O que me inquietou foi o fato delas serem observadas exatamente do mesmo ponto da planta de Porto Alegre e apresentarem variações de composição pela diferença de altura. Da minha janela (3º andar) eu observava "uma cidade" de edifícios baixos e algumas casas, pois conseguia ver só o entorno próximo. A janela da Letícia (7º andar) emoldurava "uma cidade" bem maior, com edifícios mais altos e ao fundo um emaranhado de outros prédios. Parecia que eu morava numa cidade mais tranquila e pacata no 3º andar... enquanto a Lê, no 7º andar, tinha uma visão da cidade mais abrangente podendo ver uma quantidade maior de edifícios.

Mas olhando de fora (analisando estas imagens fora desse campo de relações afetivas) as vistas da cidade não têm nada de "emocionante", assim como o vídeo, que opera relacionando verticalmente esses dois pontos de vista da cidade. Tudo é meio monótono, meio banal. Tenho percebido isso nos meus últimos trabalhos...


Sobre seu trabalho no espaço 803/804... primeiro queria dizer que gerou certa melancolia assistir as cenas e textos que corriam na tela negra.

Achei muito bonita a imagem do seu jardim, ela "acontecia" num movimento lento e melancólico. As outras imagens da sua passagem por aqui no verão, eram fixas. Achei curioso ver a maneira como vc "visitava" o plano fixo da fotografia com a câmera de vídeo. As bordas da foto algumas vezes não apareciam (me sentia "dentro" da imagem) e quase esquecia que estava planando numa imagem fixa, numa foto. O reflexo da fotografia é que me fazia lembrar que as imagens do vídeo estavam sendo "mediadas" por fotografias. Curioso isso. Relacionei as imagens paradas ás imagens da nossa memória. As imagens do seu jardim estão em movimento, continuam "acontecendo" na velocidade lenta do seu cotidiano. As outras estão congeladas no espaço-tempo fotográfico.

Seu texto atravessava a tela negra sem pressa, trazendo suas impressões sobre os espaços e vistas que te instigaram em outros momentos (gostei do silêncio do vídeo... era bonito ver as palavras cruzando o monitor em "silêncio"). As vistas e teus apontamentos sobre elas: uma espécie de arqueologia dessas imagens-vistas se desdobrava diante do monitor de TV. Revisitamos as vistas que vc nos apresentou, atualizando com nosso olhar essas imagens.

Enquanto isso... disponível ao visitante da exposição... estava a vista do centro de Fpolis. A faixa amarela fazia uma espécie de publicidade daquela vista. Parecia que ela me dizia: "vale a pena ver esta vista" (ela sugeria essa "voz em off"). O fato do espaço de exposição estar com os dias contados me fazia atribuir ainda mais importância aquela vista:

Do 8º andar era possível observar algumas fachadas secundárias e o calçadão da Rua Felipe Schimdt - uma artéria importante do centro da cidade. Sempre caminhei muito por ela, mas nunca tive a oportunidade de vê-la de cima. É curioso ver um espaço que vc convive a tanto tempo de outra perspectiva, fiquei um pouco desorientada. A janela parece que me faz ter uma relação de contemplação com a cidade, e não era esse tipo de relação que eu tinha com aqueles espaços... sempre passava por ali correndo e com pressa... gostei tbém de ver o "avesso" dos edifícios que eu só conhecia a fachada principal, bem bonitinha e pintada.

Bom, fico por aqui...

Nos vemos na outra quarta então? (A Raquel me avisou que sua fala foi adiada... vc vem na quarta ou vem um pouco antes?)

Beijos para toda a turminha!

Fabí

P.S.: fiquei chateada por não ter conseguido fazer os slides... mas as chaves foram devolvidas antes do previsto e eu e a Raquel soubemos disso em cima a hora.. chegamos lá na quarta e o sol estava indo embora... não deu tempo de pegar a luz. Mandei o filme pela Glau.

P.S:2. tudo bem quanto a conversa tornar-se coletiva! (vou ter que ficar mais atenta aos errinhos de gramática!)

>From: "Maria Ivone dos Santos" <santos@orion.ufrgs.br>
>To: "Fabiana Wielewicki" <fabianawie@hotmail.com>
>Subject: contato projeto vendo a vista
>Date: Sat, 22 May 2004 19:16:22 -0300
>
>Fabi,
>
>Primeiramente obrigada pela super ajuda que você deu ao Hélio durante a montagem das nossas respectivas propostas. Pelas fotografias, pude ver que as salas do oitavo andar da galeria foram ocupadas por uma concentração de forças e energias amigas. Que bom que isto fica, em meio a esta quase ação de despejo. A proposta tramou com este ocorrido: já que o apartamento foi vendido.
>
>
>
>Tenho pensado muito neste trabalhar no trânsito, eu diria até neste transe. Tenho pensado muito nesta vivência com os espaços e de como eles repercutem criando pensamentos, definindo nosso ser-artista. Isto produziu a vídeo-carta que mostrei nesta minha rápida passagem pela sala 807-808, mas também para outras produções, que ocorreram de forma quase sincrônica.
>
>Fique com uma questão que nos é comum agora, de certa forma. O que pode resultar em se olhar a cidade através da janela? O que vemos e o que nos olha, parafraseando uma vez mais o tio DH?
>
>
>
>Quero conversar um pouco mais contigo sobre isto, já que me lembro de um trabalho teu (não me lembro do título) no qual articulas um sutil jogo de diferenças: um ver a vista. Uma fotografia foi tomada da janela de teu anterior apartamento, (quando vivias ainda em Porto Alegre) e a outra foi tirada na mesma posição, porém alguns andares acima, algum tempo depois num apartamento idêntico. Cada imagem desdobra um ângulo da cidade, deste ponto de vista. O que acontece nestas imagens. Com o que trabalhas? Elas mostram, não uma magnífica visão da cidade, mas os seu lados, as fachadas secundárias, os volumes de sombras e texturas banais. A janela os enquadra, e todo estes volumes são trazidos a planaridade da imagem. Vamos continuar a conversar um pouco sobre isto?
>
>
>
>Bom, vou ter que interromper nossa conversa, para outra atividade. Relato antes um fato que me provocou e para o qual não tenho ainda uma resposta. Hoje fui ao cinema e no retorno vi uma cena curiosa. Eu estava dentro de um carro. O sinal fechou enquanto apareceram estas pessoas que entregam publicidade nos carros. De repente apareceu alguém empurrando um grande cartaz, montado sobre rodas, no qual havia uma publicidade de edifício gigante. Sabe estas perspectivas montadas por publicitários, maquetes gráficas que isolam o "magnífico produto" que estão mostrando. Este quadro de fundo branco, compunha com a cidade. O edifício do desenho estava sobre um retângulo branco. Não tinha comigo uma câmera nesta hora. Vou voltar ao local para ver novamente e registrar. Vivemos numa imagem?
>
>
>
>Antes de finalizar, eu gostaria de saber se autorizas que esta nossa conversa se dê no coletivo, no espaço do http://www.terreno.baldio.nom.br já que nos resta o espaço do site. Quero trabalhar um pouquinho mais, com a energia do dia, mesmo porque o espaço ou as faltas do um lugar não impedem ao pensamento de mover-se. Se puderes, me envie as fotos destes dois trabalhos para continuarmos a conversar.
>
>
>
>Um abraço e até quarta-feira, quando ai estarei para mais uma conversa, em outras circunstâncias, mais calorosas.
>
>Bom domingo!
>
>Ivone
>
>
>

 
       
   

Edmilson,
Aqui vão as imagens para acompanhar a reflexão da Fabi. Podes colocar a Janela e ver como fica melhor encaixar o vídeo do elevador. Talvez devas fazer uma insserção diferente. veremos depois.
um abraço e até breve, Ivone