CORRESPONDÊNCIAS DO VENDO A VISTA para enviar e-mail ou imagens, entre no blog
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| 1- ----- Original Message ----- From: "Gê Orthof" <georthof@yahoo.com> To: "Maria Ivone dos Santos" <santos@orion.ufrgs.br> Sent: Monday, May 10, 2004 10:25 AM Subject: Re: vista
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> --- Maria Ivone dos Santos <santos@orion.ufrgs.br>
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> >Edmilson, acho que o teu diagrama "se
ilustra" com estes textos. Peço que coloques esta no site,
depois da correspondência do Gê.
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Recebei seus pensamentos numa noite chuvosa. Aqui tem chovido muito, mas hoje (finalmente!) está um dia lindo de sol. Estou te mandando as imagens do último trabalho realizado aí em Porto. São duas fotos das vistas das janelas dos nossos antigos apartamentos (meu e da Letícia) e um vídeo feito no elevador do edifício onde morávamos. É engraçado ver essas imagens hoje... tem algo de nostálgico nelas... Mando tbém alguns momentos do vídeo: 3º andar... a porta metálica fecha... permanece fechada durante um tempo... abre no 7º andar (assim sucessivamente... 3º...7º...3º...). É bem "emocionante". O título do trabalho (por enquanto): Zênite. Em astronomia: ponto projetado na esfera celeste acima da cabeça do observador. O termo se desdobra de acordo com o "contexto" (fiz umas pesquisas na internet... encontrei uma banda de heavy metal e uma empresa de informática com esse nome... bem curioso!). Mas acho que é um termo bonito e que articula algumas noções de sentido que interessam ao trabalho. Era curioso saber que a Lê habitava o mesmo ponto na cidade que eu... exatamente em cima do espaço que eu ocupava. A planta baixa era tbém a mesma (o que causava certa desorientação quando uma visitava a casa da outra) as variações ficavam por conta dos objetos, móveis e da vista da janela. As vistas, como vc falou, não têm nada de magnífico. São cenas banais, selecionadas pelas molduras das janelas. O que me inquietou foi o fato delas serem observadas exatamente do mesmo ponto da planta de Porto Alegre e apresentarem variações de composição pela diferença de altura. Da minha janela (3º andar) eu observava "uma cidade" de edifícios baixos e algumas casas, pois conseguia ver só o entorno próximo. A janela da Letícia (7º andar) emoldurava "uma cidade" bem maior, com edifícios mais altos e ao fundo um emaranhado de outros prédios. Parecia que eu morava numa cidade mais tranquila e pacata no 3º andar... enquanto a Lê, no 7º andar, tinha uma visão da cidade mais abrangente podendo ver uma quantidade maior de edifícios. Mas olhando de fora (analisando estas imagens fora desse campo de relações afetivas) as vistas da cidade não têm nada de "emocionante", assim como o vídeo, que opera relacionando verticalmente esses dois pontos de vista da cidade. Tudo é meio monótono, meio banal. Tenho percebido isso nos meus últimos trabalhos...
Achei muito bonita a imagem do seu jardim, ela "acontecia" num movimento lento e melancólico. As outras imagens da sua passagem por aqui no verão, eram fixas. Achei curioso ver a maneira como vc "visitava" o plano fixo da fotografia com a câmera de vídeo. As bordas da foto algumas vezes não apareciam (me sentia "dentro" da imagem) e quase esquecia que estava planando numa imagem fixa, numa foto. O reflexo da fotografia é que me fazia lembrar que as imagens do vídeo estavam sendo "mediadas" por fotografias. Curioso isso. Relacionei as imagens paradas ás imagens da nossa memória. As imagens do seu jardim estão em movimento, continuam "acontecendo" na velocidade lenta do seu cotidiano. As outras estão congeladas no espaço-tempo fotográfico. Seu texto atravessava a tela negra sem pressa, trazendo suas impressões sobre os espaços e vistas que te instigaram em outros momentos (gostei do silêncio do vídeo... era bonito ver as palavras cruzando o monitor em "silêncio"). As vistas e teus apontamentos sobre elas: uma espécie de arqueologia dessas imagens-vistas se desdobrava diante do monitor de TV. Revisitamos as vistas que vc nos apresentou, atualizando com nosso olhar essas imagens. Enquanto isso... disponível ao visitante da exposição... estava a vista do centro de Fpolis. A faixa amarela fazia uma espécie de publicidade daquela vista. Parecia que ela me dizia: "vale a pena ver esta vista" (ela sugeria essa "voz em off"). O fato do espaço de exposição estar com os dias contados me fazia atribuir ainda mais importância aquela vista: Do 8º andar era possível observar algumas fachadas secundárias e o calçadão da Rua Felipe Schimdt - uma artéria importante do centro da cidade. Sempre caminhei muito por ela, mas nunca tive a oportunidade de vê-la de cima. É curioso ver um espaço que vc convive a tanto tempo de outra perspectiva, fiquei um pouco desorientada. A janela parece que me faz ter uma relação de contemplação com a cidade, e não era esse tipo de relação que eu tinha com aqueles espaços... sempre passava por ali correndo e com pressa... gostei tbém de ver o "avesso" dos edifícios que eu só conhecia a fachada principal, bem bonitinha e pintada. Bom, fico por aqui... Nos vemos na outra quarta então? (A Raquel me avisou que sua fala foi adiada... vc vem na quarta ou vem um pouco antes?) Beijos para toda a turminha! Fabí P.S.: fiquei chateada por não ter conseguido fazer os slides... mas as chaves foram devolvidas antes do previsto e eu e a Raquel soubemos disso em cima a hora.. chegamos lá na quarta e o sol estava indo embora... não deu tempo de pegar a luz. Mandei o filme pela Glau. P.S:2. tudo bem quanto a conversa tornar-se coletiva! (vou ter que ficar mais atenta aos errinhos de gramática!) >From: "Maria Ivone dos Santos" <santos@orion.ufrgs.br>
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Edmilson,
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