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O nadador viciado............................................ Texto de ALEXANDRE ANTUNES para a exposição de VERA CHAVES, "Os Nadadores", Torreão, Porto Alegre/RS. |
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Como faz constantemente, Luis passa aqui pela manhã para conversar, fuma um cigarro e vai nadar numa piscina térmica próxima. Desta vez resolvi transcrever nossa conversa. - E daí ! - E daí o quê? Respondo. - Posso entrar? - Claro. Luis abre a porta e entra. Continuo escrevendo com atenção e em silêncio. - Vou dar uma nadada daqui a pouco! Fico pensando como seria essa piscina. Qual o seu tamanho? - Posso fumar aqui dentro? - Sim, respondo. Luis acende um cigarro, e fica olhando algumas imagens que estão a sua frente. Faço uma pausa nas palavras para corrigir minha postura na poltrona. Ele aproveita e senta na outra. O ar da sala tem sua densidade modificada pela fumaça que flutua lentamente contra todas as coisas. Que extensão terá sua piscina mental ? Olho para ele e pergunto: - Fumar não diminui tua resistência física? - Claro que sim, sei disso. Só que não consigo parar. Continuo ainda nadando bem, assim que ... Minha respiração fica modificada pela fumaça e pelo ar viciado. Os olhos ardem um pouco. Aproveito para limpar as lentes do óculos com a camisa. Luis retira então da bolsa, seus óculos e a touca que usa para nadar. - Quer colocá-los? Pergunta. - Não, mas posso scanear? - Claro que sim. Levanto e saio da sala. Luis continua sentado fumando. Volto em seguida com uma garrafa de água. As imagens fluem se alternando. - O que tu pensas quando está nadando? - Ah, em várias coisas ao mesmo tempo. - Por exemplo? - Sei lá, trabalhar como comissário de bordo, voar, na Jana, que preciso continuar estudando, morar em NYC,... O que eu responderia? Precisaria ser um nadador, ou pelo menos nadar. Quais imagens? Talvez as mesmas que penso agora. Levanto e abro a janela. - Quantos metros tem a piscina? - Vinte e cinco metros de extensão. Tenho uma escala precisa. - Quantas vezes consegue atravessá-la? - Faço vinte chegadas que é igual a quarenta vezes. Trocar a imagem como uma braçada. Luis termina de fumar. No mesmo instante pega seus óculos e touca, coloca-os na bolsa e diz que está indo embora. Quer saber sobre o que eu estou escrevendo. Respondo que são algumas idéias e imagens instantâneas. - Tá bom, vou nessa. Tchau! - Tchau! O ar da sala é trocado pelo vento que entra pela janela. Enquanto tomo um gole de água mineral penso no trabalho da Vera. Ainda não sei exatamente o que irei escrever, porque neste momento me sinto apenas como um nadador viciado, passando pelas imagens através de um copo de água mineral com gás.
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