Nas imagens ácidas ..................Texto de Edmilson Vasconcelos para a exposição de ALEXANDRE ANTUNES em Florianópolis, SC em junho de 2000.

 

... de ALEXANDRE ANTUNES, reconheço o que vejo. São objetos do uso cotidiano. Todos nós reconheceríamos. Entretanto, tratados com uma série de articulações visivelmente sedutoras e realisticamente compreensíveis. Interpelam-se pontualmente ao nosso cotidiano. Talvez seja este o motivo da potência visual que apresentam.

Vários objetos: máquina fotográfica; mochila; prancha de surf; mouse; sapatos, roupas e etc. Tenho a impressão de que poderia estar ali qualquer outra coisa. Os objetos se dão segundo uma mesma estratégia, ou seja, a apropriação de um objeto - todos denotando já um uso, uma historicidade intrínseca - revestidos (totalmente) meticulosamente em pequenos pedaços de lâminas de alumínio sobrepostas e coladas. O objeto que antes era uma roupa ou uma prancha de surf, agora revela-se em conceito de roupa ou de prancha de surf. A materialidade talvez seja a principal articulação desta revelação. A folha de alumínio se presta muito bem para isso. Aqui,a técnica se faz visível, o que repercute em uma coerência conceiual que costura todos os agenciamentos para a viabilização da poética proposta.

Não posso esquecer do uso deste produto, revendidos em super-mercados e usado geralmente para embalar alimentos ou conservar temperaturas em nossas cozinhas. No caso, esta conservação também se dá, entretanto, deslocada conceitualmente. O que está preservado agora não é mais o objeto ou tão pouco sua memória, mas sim sua forma historicizada e ornamentalmente presentificadora de uma poética que vive entre co-deslocamentos conceituais. O que vemos e reconhecemos não é mais o que entendemos estar vendo. Nesse embate; neste espaço-hiato conceitual, não um vazio,mas um cheio de possibilidades mentais que só a arte pode viabilizar.

Um certo humor nos comove ...