.MUSEU REIVINDICA NOVA SEDE

O MACAP (Museu da Associação Catarinense dos Artistas Plásticos) procura junto às autoridades administrativas do Estado, encontrar uma saída que satisfaça a necessidade de definir um local adequado para abrigar o seu acervo. Sediado provisoriamente num dos salões do antigo Prédio da Alfândega, no centro da Ilha de Santa Catarina, o Museu divide espaço com a própria Associação, o que resulta em conflitos espaciais inapaziguaveis. A questão se complica pelo fato de que, embora o MACAP dispute espaço físico com a produção artística em ebulição na cidade, sua existência institucional não é visível o suficiente para que seja encarado o problema que necessita ser solucionado. Um de seus participantes confirma o fato: “o momento coincide com a urgência de se pensar um estatuto para o Museu, já que até hoje ele não existe no papel”. A situação é limite na medida em que o extremo dinamismo da prática artística na capital catarinense, que repercute fora do Estado como nunca, coincide com aspectos de grave imobilidade institucional. Assim, uma produção cuja vocação é o encontro com a própria vida e com o público, acaba imóvel e engessada. Quem perde com isso? A cidade, o público, os artistas. Todos perdemos.

O “Projeto Novos Laboratórios” concebido e organizado por Traplev Agenciamentos, inaugurado no dia 26 de setembro e que acontecerá até o dia 15 de outubro na sede da ACAP, no Prédio da Alfândega, é sintomático dessa vocação de encontro entre o fazer artístico e o lugar público, urbano local. Simbolicamente, algo interessante acontece: o Estado cobrava ali os impostos sobre aquilo que vinha do mar; o mar foi soterrado com o dinheiro dos impostos. O lugar virou um simples espaço. Este projeto/evento, que conta com a participação de mais de 30 artistas, expressa o conceito de habitar o espaço, revitalizá-lo promovendo o encontro de pessoas, o debate. Restabelece o lugar que fora soterrado e que é onde a cidade começa: a praça pública, a verdadeira Ágora, o lugar da troca. Iniciativa que embora partindo de “baixo”, longe das administrações burocráticas da cultura e do capital, faz a Cultura de fato.

Nesse contexto, o drama que vive o MACAP se evidencia. Em conflito com o “Projeto Novos Laboratórios”, o visitante poderá apreciar a exposição permanente de parte do acervo do Museu. Em sua coleção, bastante curiosa, encontra-se desde aparelhos para chá até mobiliários para jardim (em ferro fundido). Também fazem parte da coleção, embora ainda não catalogadas, diversas peças do artifício expositivo modernista, tal como painéis de madeira com pés de metal, “cubos” em diversas dimensões e pintados de branco ou de preto, ripas para pendurar quadros em fios de nylon, etc. A incompatibilidade e inadequação entre o MACAP e a arquitetura do edifício histórico, obrigaram a utilização de divisórias internas (recurso bastante conhecido em repartições administrativas públicas) para isolar a área de reserva técnica da área de acesso ao público, o que esculhambou com a qualidade espacial da arquitetura como um todo.

Deslocar o acervo do Museu para um local mais adequado é urgente. Peças que guardam a memória da Associação Catarinense dos Artistas Plásticos mereceriam maior atenção dos poderes administrativos. Uma nova sede e um estatuto para o MACAP poderiam fornecer acesso, para quem se interessar, à história da ACAP, e ao mesmo tempo, destrancar definitivamente as portas do Prédio da Alfândega para que a conexão entre a Arte e o centro urbano na Ilha de Santa Catarina se estabeleça de maneira vigorosa.

Zé Antonio Lacerda 08/10/2005.

zeantoniolacerda@yahoo.com

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