proposições de insistÊncia prática¹


Ilha de SC 18 de maio a 23 de junho de 2006 - Sede da Fundação Franklin Cascaes – Forte Santa Bárbara

Nos dias de abril depois de iniciado o processo de contato com os artistas para conversar sobre suas práticas e trabalhos e olhando algumas propostas de Priscila Zaccaron, me identifiquei com uma imagem de cor quase magenta com a frase inscrita: PORQUE EU SEMPRE MESMO ESTIVE AQUI² . O sentido sugerido pela frase da artista, de uma forma contempla um desejo e ao mesmo tempo deflagra uma falta no contexto que estava se formando. Criando um diálogo de acesso.


Realizar uma exposição num espaço institucional é o desafio que se coloca na possibilidade de estar “dentro”, re-ativando um espaço com possibilidade crítica.


A condensação dos 17 artistas reunidos é um deflagrador da idéia de princípio, do porquê apresentar um conjunto de trabalhos em dada situação, e qual motivo para este deslocamento.


Iniciar uma busca com referências estabelecidas me perturbava, ao mesmo tempo em que procurar algo para deixar clara minha intenção me confortava. Era um alívio pensar nesse vácuo entre possibilitar e realizar. Reunir artistas e obras para uma “exposição de arte” em espaço específico³, primeiramente com o propósito de evidenciar o processo histórico da montagem de situações, é possibilitar olhares e reintegrar o diálogo. ( entrando aí o como, o onde, de um circuito que de um jeito ou outro sempre se restabelece, redireciona ele mesmo, a fim de manter uma coerência com o trabalho).


Em processo de desenvolvimento das idéias no campo relacional(4) ao espaço de performação(5), pra mim ficou cada vez mais intenso, produzir algo contextualizando todas as insistências que dizem respeito à uma cadeia produtiva específica e seu fluxo. Sendo isto um subtítulo ou sobre-texto, quase subliminar, parti para abster-me de vícios de linguagens e abarcar no que cada trabalho em potência tinha a contribuir para a construção deste texto, ou melhor cada artista em potencial teria a apresentar. A relação com o espaço, (tem um tipo de relação com o espaço que parte da descaracterização do objeto com seu lugar e funcionamento, colocando nu o espaço, um espaço sem tempo, sem compreensão, uma erosão do lugar, uma coisa que entendi em Blanchot e Baudrillard)(6) o registro de situações dadas, o desenvolvimento de um processo, o estudo da imagem, o local como experiência, a sensibilidade praticada em proposições sonoras e intervenções a deriva(7) na cidade refletem já uma boa parte das insistências de proposições práticas apresentadas aqui nesta ocasião, que prefiro deixar ao silêncio dos visitantes e/ou ao barulho de uma banda as prerrogativas de uma emergência.

Artistas:
Raquel Stolf, Julia Amaral, Teresa Siewert, Giórgia Mesquita, Gustavo Meneguini,
Armando 178L, Nara Milioli, Priscila Zaccaron, Amanda Cifuente, Cláudia Zimmer, Tiago Franco, Bruna Mansani, Daniel Acosta, Erro Grupo, Thaís Gil, Edmilson Vasconcelos, Flávia Fernandes, Fê Luz.

Proposta Curatorial: Traplev Agenciamentos
Revisão e complemento de texto: Priscila Zaccaron.

 

1. Texto em desenvolvimento parte 01 - Traplev.
2. Sem-título - imagem impressa em papel fotográfico metálico - 30X40cm - 2005.
3. Sede física da Fundação Municipal de Cultura de Florianópolis, Fundação Franklin Cascaes – Forte Santa Bárbara, e histórico político de mais de 8 anos de atuação local.
4. Deflagrados nas aulas do Prof. Dr. Zé Kinceler no Programa de Pós-graduação Mestrado de Artes Visuais (ceart-udesc), com textos de Nicolas Borriaud, entre outros.
5. Termo de Regina Melin e projeto de pesquisa do Centro de Artes-UDESC, decorrente da tese de Doutorado: Incorporações – agenciamentos do corpo no espaço relacional, PUC, SP, 2003.
6. Zaccaron, Priscila. O NEUTRO, O OUTRO E O FORA – intersecções entre conceitos de Maurice Blanchot e a produção artística contemporânea. Projeto de Pesquisa com a coordenação da Prof. Maria Raquel da Silva Stolf
7. Conceito de Gui Debord desenvolvido a partir da Internacional Situacionista na década de 50. A idéia contida neste
trecho corresponde a uma relação histórica, não se restringindo a uma abordagem de similariedade.