Reinventando Passarinho

Provocar acontecimentos que produzam sentido é de urgência vital para quem está preocupado em gerar proposições em arte que sejam condizentes com nossas necessidades de Representação¹ .


Com este processo acelerado e contínuo de pasteurização do coletivo e espetacularização da cultura, ter experiências reais significa a construção de saberes que escapam da lógica de uma forma de subjetividade homogeneizada que leva o imaginário do individuo a ser formatado segundo imagens sedutoras. Frente a esta constatação DAMÉ lança a pergunta: Como o sujeito se reinventa e produz novos sentidos? Esta pergunta funda uma série de articulações pelas quais a proposta “APRENDIZ DE PASSARINHO” leva em consideração. Armar, construir, expor, encontrar as fissuras na subjetividade, reinventar as formas de entender o espaço como lugar praticado significa a aventura de não se deixar ficar prisioneiro de si mesmo, de verdades que sedimentam e cristalizam o imaginário de cada um.


A proposição, como no inicio de um jogo de xadrez, é intervenção do artista. É ele que traduz sua experiência de vida, materializando-a por meio de processos criativos que instalam um novo jogo representacional no sentido de propor novas formas de fazer este mundo ser experenciado de forma mais complexa perante uma radical transformação de como a subjetividade pode ser reinventada. Ou seja, sua proposta gera SENTIDO quando em seu acontecer, possibilita a participação e a colaboração por parte do público, desestabilizando-o, descolocando-o, fazendo com que seu modo de sentir e perceber este mundo possa ser revisto. Este devir intensifica a proposta, pois sua existência não está limitada a um final dado hermeticamente pelo artista, ao revés desborda o campo do artista para invadir o campo de experiências de vida de quem está disposto a se reinventar como passarinho, ou como sabiamente nos diz o Poeta: Eles Passarão, eu passarinho² , ou será ? Eu passarinho, eles passarão.


José Luiz Kinceler


Entre uma qualificação e outra de maio de 2007

¹ _Entendemos Representação enquanto capacidade de gerar realidade, de pertencimento a esfera pública.
² _ POEMINHA DO CONTRA
Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!
Mário Quintana

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